Caminhos para o desenvolvimento humano

A busca pelo aprimoramento é uma necessidade humana primária, individual e coletiva. E ao longo dos tempos, muitos foram os caminhos desenvolvidos para este objetivo. No momento presente, esta busca está cada vez mais urgente, pois os problemas têm aumentado, sejam eles de origem física, psíquica, emocional ou espiritual.

O movimento ecológico tem criado novos caminhos para lidar com os meios materiais, a fim de não exaurir os recursos naturais, quer pela exploração desordenada, quer pela contaminação oriunda daquilo que descartamos.

Meios menos agressivos de cuidar da saúde física têm se expandido para além de grupos específicos, sendo procurados por uma número crescente de pessoas, que começam a assumir responsabilidade pela sua própria saúde.

Estas mudanças de enfoque se tornam cada vez mais necessárias, dado o crescente sofrimento que atinge a grande maioria da humanidade, das mais diversas formas e pelas mais diferentes razões.

O que estas abordagens têm em comum é um deslocamento de uma compreensão linear para uma abordagem mais holográfica. É um desencanto com o caminho puramente racional e um despertar da percepção intuitiva. Mas isto não está acontecendo somente a partir de uma intenção consciente das pessoas, isto simplesmente emerge de um contexto mais amplo e profundo.

Temos sido doutrinados para confiar exclusivamente na razão, descartando todas as nossas demais habilidades. Curiosamente, é a própria ciência que nos aponta o equívoco deste caminho. Quando cientistas se aventuraram a pesquisar o fenômeno do consciente humano, eles descobriram que a maior parte de tudo que fazemos acontece em níveis subconscientes.

Nós podemos saber disto simplesmente prestando atenção às nossas ações cotidianas. Quão consciente você está quando escova os dentes? Ou quando dirige seu automóvel? Ou quando está assistindo à televisão? Desenvolvemos programas e tecnologias para tornar nossa vida mais prática, mais econômica, mais segura, mais diversificada. E deixamos que isto assuma o lugar do viver consciente nossas experiências, suas motivações e suas consequências.

A visão de mundo centrada no mental

Em seu livro The User Illusion [A ilusão do Usuário], o escritor dinamarquês Tor Norretranders reúne diversas áreas da pesquisa científica, mostrando que a cada segundo, milhões de bits de informação fluem através de nossos sentidos, dos quais nossa mente consciente processa no máximo quarenta. Para nos tornarmos conscientes de algo, é preciso que o caos da informação seja organizado e ordenado. O resultado deste processo de ordenação é o que chega ao nosso foco de consciência. O restante é descartado. O que experienciamos conscientemente adquiriu significado antes de nos darmos conta; algo de que não temos consciência interpretou as coisas por nós.

O fluxo de informação que chega aos nossos sentidos se caracteriza pelo caos, pela desordem. Ao descartar informação, reduzimos esta desordem e confusão a leis simples e previsíveis, que passam a governar nossa vida. Portanto, quando tomamos consciência de algo, já descartamos a maior parte da informação. Mas qual o critério para decidir o que descartar e o que organizar? Quem ou o quê decide entre o joio e o trigo?

Os estudos do cérebro humano indicam que esta função é realizada pela amídala cerebelosa, um pequeno órgão que fica em uma área crítica, entre o antigo sistema reticular, o ponto elevado do cérebro reptiliano sensório-motor, e o nível inferior do sistema límbico relacional-emocional. O funcionamento do cérebro límbico envolve a discriminação entre estímulos positivos e negativos, baseado na experiência do organismo.

A amídala é o foco central de um número de sensores emocionais e age como um editor, lendo o grande fluxo de informação que se move pelo sistema reticular até os níveis superiores do cérebro, para ser processado. Qualquer informação que indique algo danoso, ameaçador ou incomum, é captada pela amídala, que instantaneamente dispara um alerta.

Mas a amídala não apenas escaneia esta imensa quantidade de material, procurando por problemas, sem deixar passar nada, ela também salva o trabalho, guardando seletivamente as impressões negativas, com os quais vai comparar experiências posteriores. O que ela armazena na memória não são conteúdos específicos, apenas ressonâncias ou similaridades emocionais.

A amídala não distingue entre eventos realmente ameaçadores ou simples sustos pela reação inesperada de progenitores. Ela não diferencia e compara os conteúdos, apenas responde a frequências vibratórias similares, do mesmo modo que um sistema eletrônico de alerta dispara, mesmo se apenas um gato passeia pelo telhado. E quando um alerta alcança nossa percepção consciente, milhões de respostas neurais por todo o corpo-cérebro já foram colocadas em ação.

É por meio deste aspecto do funcionamento cerebral que a cultura se tornou uma força formativa primária, escreve Joseph Chilton Pearce em The Death of Religion and the Rebirt of Spirit [A Morte da Religião e o Renascimento do Espírito]. Um campo de energia organizador, distinto da natureza, a cultura trabalha para nos isolar do que foi, é e pode ser natural.

Consequentemente, aquilo que experienciamos e acreditamos ser o próprio mundo é algo criado em nossa mente, através de ilusões sistemáticas e reducionismos, que resultam do descartar da maioria da informação que nos vem do mundo fora de nós. Temos uma imagem do mundo em nossa mente, que dita as condições da nossa existência. Chamamos a esta imagem de cultura.

Enquanto nossa mente se relaciona com a cultura que criamos, nossos corpos mantêm uma relação de afinidade com o mundo físico, que em sua maior parte fica oculta de nosso foco consciente. Enquanto seres de carne e osso, fazemos parte de um poderoso sistema vivo que chamamos de Terra, havendo uma relação íntima entre as necessidades do planeta e as necessidades físicas de uma pessoa.

Se quisermos compreender o estado do globo terrestre, temos que fazê-lo a partir dos nossos próprios corpos e do nosso próprio temor, pois a crise ambiental que vivemos se manifesta em nossas mentes como um problema pessoal, afirma Theodore Roszak em The Voice of the Earth [A Voz da Terra]. Representante do movimento conhecido como Ecopsicologia, ele sustenta que há uma dimensão psicológica para o problema ambiental. E para lidarmos adequadamente com esta questão, precisa ocorrer uma mudança no modo como vivemos, nos valores que definimos como significando ser humano e viver uma boa vida.

Para isto, precisamos deslocar nosso foco da mente para o coração. Os estudos apontam para o fato de existir no coração um complexo neural ou “cérebro” que desempenha um papel principal nesta habilidade de nos relacionarmos com nosso ambiente e com outros. Se nos abrirmos para a inteligência do coração, podemos nos tornar instintivos a cada vez que ele bate e poderemos ver e abordar o mundo de um modo novo.

A visão de mundo centrada no coração

Nosso coração sente a natureza de eventos particulares antes deles ocorrerem e sinaliza claramente para o cérebro, qual a natureza deste evento e como devemos reagir a ele. Nesta função de previsão, a resposta do coração precede a mudança que ocorre no córtex pré-frontal por uma fração de segundo; a interação se faz, quando o cérebro frontal sincroniza com o coração. As conexões neurais do coração se dão primariamente com o córtex pré-frontal e o cérebro emocional (límbico). A percepção coração-cérebro precede nossa percepção mental, apontando para uma equivalência direta entre o cérebro e o coração, a percepção intuitiva.

Esta comunicação entre o coração e o cérebro ocorre abaixo de nossa percepção consciente, através de um outro circuito que envia a informação já traduzida para a mente, quando então temos uma percepção plenamente consciente da experiência.

Através do nosso coração, cada um de nós acessa seletivamente o próprio mundo interior, este mundo limitado e formatado pelo sistema cognitivo pessoal e formado a partir da experiência individual daquilo que nossa espécie e cultura seletivamente desenharam e passaram adiante.

O coração é a nossa fonte intuitiva, o nexo ou ponto de encontro deste jogo interativo entre nossa experiência pessoal e a cultura, bem como causa e efeito de todas as conexões. Quando a mente individual ‘egóica’ fica presa no cabo de guerra entre a conexão do lobo pré-frontal com o coração e os reflexos de sobrevivência da amídala, ela é absorvida pelo mundo externo e passa a nos dominar, fazendo com que o mundo interno do coração e do espírito fiquem comprometidos, ignorados ou perdidos.

A dominância tem que vir do coração, mas este depende do equilíbrio entre os hemisférios direito e esquerdo do cérebro, entre nossas qualidades femininas e masculinas. A mente tem que sair do caminho do coração, para restabelecermos a conexão interrompida com a verdadeira alegria dos relacionamentos, o propósito real da vida e a força impulsionadora por trás da criação e do universo.

Para que possamos nos abrir para a novidade deste fluxo do coração, que ocorre sempre no momento presente, precisamos dissolver o registro de todas as injustiças que nos foram feitas, todas as feridas ou machucados de relacionamentos, nossas raivas e lutos pelos quais exigimos retificação ou justiça. Precisamos completar todos os processos que ficaram pendentes e que guardamos como um tesouro sagrado. Precisamos finalizar nossa caótica história de injustiças, que nos prendem ao passado e nos impedem de criar a vida nova que desejamos para nós e nossos descendentes.

Os tempos atuais demandam uma nova atitude em todas as nossas relações com o mundo, baseada em valores como cooperação, respeito pelas diferenças e cuidado com o meio-ambiente físico e social. Para desenvolver e sustentar esta nova atitude, precisamos ampliar a consciência que temos de nós mesmos, seja na relação conosco, na relação com os outros e na relação com o planeta.

Cada um de nós é um campo de energia. Quer tenhamos consciência disto ou não, tudo que fazemos, sentimos ou pensamos está presente neste campo e afeta nosso ambiente e nossas relações. Quando sustentamos emoções negativas, crenças limitantes e padrões depreciativos, afetamos não apenas a dinâmica do nosso próprio campo energético, mas influímos negativamente na dinâmica do campo energético coletivo. Isto distorce o exercício do poder pessoal, abrindo espaço para que outros influenciem e determinem o que pensamos, sentimos ou fazemos.

Clarear e fortalecer o próprio campo energético nos possibilita manifestar os valores, crenças e atitudes positivas que expressam nosso Ser Divino. Quando me lembro do meu Ser Essencial, posso expressá-lo na minha vida cotidiana e influenciar positivamente meu ambiente. Ao sustentar e exercer meu poder pessoal, alinho-me com o universo e encontro meu lugar de honra no Campo Unificado de Consciência.

Expansão consciente