Poder expresso com amor e verdade

Os tempos atuais demandam uma nova atitude em todas as nossas relações. E para desenvolver e sustentar esta nova atitude, precisamos ampliar a consciência que temos de nós mesmos, seja na relação conosco, na relação com os outros e na relação com o planeta.

Esta nova atitude requer uma nova compreensão de poder. Temos entendido o poder como um substantivo, algo que se possui, como força física, dinheiro, posição social, informação, armamento e coisas similares. Podemos dizer que estas coisas conferem a alguém um poder sobre..., referindo-se a uma atitude de dominação, baseada em uma estrutura hierárquica, seu efeito estando mais próximo da coerção e da sujeição.

Mas quando utilizamos a palavra ‘poder’ como um verbo, ele se refere a uma habilidade de agir, algo que sempre é pessoal e intransferível: seu eu quem pode ou não pode realizar algo. E neste sentido, todos nós temos poder. Cada pessoa utiliza e expressa seu poder de uma forma própria. A amplitude e a intensidade do poder pessoal é uma característica individual, mas todo ser humano pode...

O poder sobre... emerge de uma visão de mundo mecanicista, um mundo fragmentado, composto de partes distintas que, em si mesmas, não possuem valor. Desta perspectiva, o valor de cada coisa ou pessoa não é intrínseco a ela, mas lhe é atribuído de acordo com o lugar que ocupa na estrutura social, por sua vez dependente de critérios artificiais, que variam ao sabor do tempo, impostos de cima para baixo e de fora para dentro.

O poder pessoal vem de dentro. É o poder da ação individual, que emerge de um significado mais profundo, relacionado com a motivação, os princípios e valores que cada pessoa sustenta e as habilidades que desenvolve. É poder cantar, amar, dançar, trabalhar, pintar ... Este poder tem um valor intrínseco, um valor em si mesmo e que não pode ser comparado com alguma outra coisa ou ser avaliado em uma escala qualquer. Uma pessoa pode cantar no banheiro ou pode se apresentar para multidões. Seu poder de cantar se expressa de modo distinto, tem um alcance diverso e uma intensidade variada, mas como todas as pessoas, ela pode cantar. Todos nós podemos cantar. Posso cantar quando estou triste ou quando estou alegre, posso cantar sozinha ou em companhia de outras pessoas, posso cantar em voz alta ou silenciosamente. O poder de cantar é inerente ao ser humano.

Não podemos perder este poder pessoal, porque não é algo que possuímos, é algo que se expressa através de nós, fluindo da fonte cósmica para se manifestar na ação pessoal. E o poder da fonte cósmica é ilimitado.

Quanto poder cada um de nós é capaz de expressar depende de quanta responsabilidade estamos dispostos a assumir. Responsabilidade aqui não no sentido da culpa ou do fardo, mas da habilidade em responder às situações da vida, a partir da nossa integridade. Pois o que flui da fonte cósmica através de nós é o poder da própria vida.

E nos responsabilizamos pelo nosso poder, quando o expressamos em harmonia com todas as formas de vida. Quando exercemos nosso poder com os demais seres, quando nosso poder se harmoniza com o poder das demais pessoas e com o poder do universo, então nos influenciamos mutuamente, no sentido de que aquilo que digo e faço flui para os outros e aquilo que os outros fazem flui para mim. Para exercermos nosso poder com as demais pessoas, precisamos ter respeito pelo poder do outro e sustentar nosso próprio poder.

Esta nova atitude também requer uma nova compreensão dos papéis sexuais. A dualidade que mais impacta nossa vida é a sexual, aquela que divide o mundo em gêneros – masculino e feminino. De acordo com nossa anatomia, somos classificados como mulher ou como homem, mas o gênero emerge da gramática, para definir papéis socialmente estabelecidos e regidos por qualidades específicas.

A verdadeira dualidade, contudo, não é a que separa masculino do feminino. A verdadeira dualidade é representada pelo amor e pela verdade. Pode não parecer uma dualidade à primeira vista, mas em tudo que existe, há amor e verdade. Às vezes há mais amor do que verdade, outras vezes há mais verdade do que amor. E se na visão tradicional o amor foi definido como feminino e a verdade como masculina, a própria gramática revela que um não existe sem o outro. Masculino e feminino é uma dicotomia ilusória.

Para irmos além desta ilusão, precisamos olhar um pouco para o amor e a verdade. A energia do amor é uma energia de conexão. É o amor que conecta todos os seres e mantém coeso o universo. O amor integra todos os seres em uma unidade, em um todo que não é feito de muitos pedaços agregados, como uma máquina. Uma unidade em que cada parte, grande ou pequena, carrega em si e expressa a totalidade.

Mas, para que esta unidade não se torne amorfa, um mero aglomerado indiferenciado, há a necessidade da verdade, cuja função é criar espaço para a individualidade. É o espaço entre os seres que torna possível a consciência individual. É a individualidade que possibilita uma atitude responsiva e responsável.

Reflita um pouco sobre como esta dualidade – amor e verdade – se expressa na sua vida, nas suas ações, nos seus pensamentos, nos seus sentimentos. O que em sua vida precisa de mais amor, mais conexão? O que em sua vida precisa de mais espaço, mais verdade?

Quando tenho consciência do meu poder como indivíduo e, ao mesmo tempo, sinto a conexão com tudo que há no universo através da energia do amor, então posso adotar uma nova atitude baseada em valores como cooperação, respeito pelas diferenças e cuidados com o meio ambiente físico e social.

Quando manifesto meu poder a partir da integridade, minhas ações mudam minha vida e a vida das demais pessoas. Quando fortalecemos, incrementamos, ampliamos e expandimos nosso poder pessoal, nutrimos a vida, a nós mesmos e a tudo e todos que partilham conosco este universo infinito.

Você se sente poderosa?

Qual é a sua fonte de poder?

Como você se relaciona com seu poder?

Se quiser, partilhe aqui suas dúvidas e descobertas.

Expansão consciente