Corporificar valor inerente

26/02/2010

Costumamos pensar em ‘valor’ como um conceito abstrato, algo mental, que informa as nossas ações. Quando apenas personificamos um valor, ele se torna um personagem em nossa vida, que podemos deixar de lado quando nos for conveniente. Como uma informação que podemos desconsiderar.

Para que os meus valores se tornem intrínsecos às minhas ações, preciso senti-los no meu ser físico. Preciso corporificá-los. Quando corporifico um valor, sinto sua ação como um movimento energético que percorre todo meu corpo. Sinto o valor em meu ser físico, de modo que sua presença me invade como uma onda de prazer que percorre meu corpo e me vitaliza. Sua ausência, por outro lado, é vivenciada como desprazer, drenando minha energia e vitalidade. Sinto-me desempoderada.

Para corporificar valor inerente, é necessário primeiro afirmar o corpo, acolher e honrar nossas necessidades e desejos, independentemente das possibilidades e da amplitude de sua realização. A satisfação e o prazer estão intimamente associados com o livre fluxo da energia que percorre o corpo, quando nos sentimos empoderados.

Para construir valor inerente, precisamos cuidar e ser cuidadas. Precisamos ver e ser vistos. Precisamos nomear quem somos, o que queremos e o que vemos.

Em circunstâncias apropriadas, o cuidado que recebemos na infância é essencialmente dedicado ao corpo em desenvolvimento, mas este corpo não é apenas um invólucro do ser, ele é a totalidade do ser físico, emocional, mental e espiritual. Quando cuidamos de um recém-chegado ao mundo em sua totalidade, ele desenvolve valor inerente e inscreve seus valores na existência física. Torna-se um adulto de valor.

Para que os cuidados que recebemos possibilitem o estabelecimento de valor imanente, é necessário que sejam oferecidos sem julgamento. Precisamos receber cuidados que não dependam de quaisquer realizações ou modos de atuar. Precisamos receber cuidados pelo simples fato de estarmos vivos.

Podemos construir valor inerente em qualquer etapa da nossa vida. Podemos começar refazendo nossa relação pessoal com o corpo físico que possuímos, começando por conhecê-lo em detalhes. Em geral, é o espelho que nos diz como somos e, na maior parte das vezes, nos julgamos segundo critérios estéticos alheios.

Quando começamos a nos relacionar com o corpo que somos, em vez de julgar o corpo que temos, aprendemos a conhecê-lo de forma mais íntima, mais sensível. Podemos descobrir partes que apreciamos e outras que rejeitamos. Rejeitar significa julgar. Mas quando nomeio e acolho este aspecto que rejeitei, posso começar a transformá-lo, para que se harmonize com o todo. Todos nós somos inerentemente belos, se soubermos apreciar e equilibrar todos os nossos aspectos. A beleza humana não se define por um conceito estético, sempre sujeito às ideologias do momento, mas pela harmonia interior refletida no exterior.

Contudo, não são apenas os indivíduos humanos que corporificam valor imanente. Nenhum valor existe fora de contexto, assim como nenhum indivíduo existe fora da rede de seres, elementos e relacionamentos que sustentam a vida. Não podemos valorizar verdadeiramente a nós mesmos e as nossas vidas, a não ser que valorizemos aquilo que sustenta a vida.

Portanto, além de refazer nosso relacionamento com o corpo, precisamos também refazer nossa relação com o corpo maior do planeta que habitamos. Quando sustentamos valor inerente, passamos a zelar não apenas pelo nosso corpo e pelo corpo das pessoas que amamos, mas também pelo corpo do planeta, este organismo complexo, composto de todas as criaturas existentes.

Experimente começar consigo mesma e observe os valores que você sustenta e corporifica se irradiarem por todo o planeta!

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