Crer na própria experiência

11/12/2013

Este artigo é de 2009, mas me pareceu mais atual do que nunca, razão pela qual reapresento ele aqui como intenção para o ano que se inicia, desejando a todos boas festas!

Lendo um livro sobre Lemúria, o mítico continente-mãe supostamente afundado no Oceano Pacífico, me deparei com uma história que expressa uma experiência muito comum e que presencio sempre nas vivências que realizo.

A história fala de um jovem, cuja vocação é se tornar um Erudito, pessoas que passavam a maior parte de seu tempo em uma das cidades sagradas, pesquisando e estudando. Após sua iniciação aos 14 anos de idade, um mestre veio buscá-lo e ambos se dirigiram para o Vale Mágico, em cujo centro se erguiam três colunas imensas de obsidiana, cada qual tendo no seu topo uma cidade de cristal.

Quando mestre e discípulo sentaram-se diante da coluna correspondente, o jovem se perguntava como iriam chegar ao seu topo, pois as imensas colunas eram lisas como vidro. Foi então que o mestre falou: “Você se pergunta como vamos chegar na cidade sagrada. E como você vê, não há caminho que você possa percorrer com o corpo”.

Relata então sua própria experiência como discípulo e passa ao jovem o ensinamento de como chegar à cidade sagrada: você deve sentar-se diante da coluna e olhar para si mesmo no espelho de obsidiana, até desvendar a pergunta de quem você é. Sabendo quem você é, deve então fechar os olhos e perguntar-se com profundo e intenso fervor, para onde você quer ir. E deve fazê-lo pelo tempo que levar para obter a poderosa resposta. Ao ter a resposta, neste mesmo instante, você estará lá. Mas o mestre acrescenta uma advertência: você deve acreditar que chegou, no momento em que lá chegar!

O jovem seguiu as instruções; mas, quando se viu na cidade sagrada, duvidou...Será?...Não pode ser!... e instantaneamente se viu novamente diante de sua imagem refletida na coluna de obsidiana.

Duvidar da própria experiência, da própria percepção, é algo muito comum. E como a dúvida nos traz instantaneamente de volta para o lugar de onde partimos, acabamos acreditando na dúvida, sem nos darmos conta que é a própria dúvida que nos lança de volta para o habitual, para o velho.

Apenas quando acreditamos, quando temos fé, quando sustentamos nosso compromisso profundo com aquilo que queremos, podemos realizar nossos desígnios. Quando sabemos quem somos e temos fé em nosso propósito, podemos alcançar as cidades sagradas, as cidades cristalinas, que estão dentro de nós.

Lemuria. Das Land des goldenen Lichts [O País da Luz Dourada}, Dietrich von Oppeln-Bronikoswki

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