Violência, o jogo da dominação

Neste mês da mulher fala-se muito em violência do homem contra a mulher, um assunto que certamente merece ser abordado sempre. Mas é preciso atentar que não são apenas as mulheres que estão sujeitas à violência e, principalmente, que elas não são apenas vítimas, mas muitas vezes também perpetradoras .

As relações humanas de uma maneira geral estão permeadas de violência, muitas vezes física, mais vezes ainda verbal. A violência verbal é irradiada nos filmes, nas letras de música, nos programas de televisão, em tudo que se chama de entretenimento, e que permeia a conversa e a relação das pessoas no seu cotidiano mais cotidiano.

Tendemos a considerar violência apenas a força física que nos atinge no corpo. Maior ainda é a violência que sutil e sorrateiramente nos atinge na alma. Ela se manifesta sempre que somos desqualificados. Quando somos ameaçados pela perda de nossa autonomia e dignidade. Pela sugestão de que vamos nos dar mal na vida se seguirmos nossos anseios, se manifestarmos nosso poder pessoal.

Violência é tudo aquilo que restringe a livre expressão da emoção, dos sonhos, dos anseios de uma pessoa. A violência nos atinge quando somos espontâneas e verdadeiras e nos confrontamos com uma moral vigente que oprime, que restringe, que denigre, que despreza, que desrespeita. Esta é uma violência que nos atinge a todos, em um mundo em que predomina a dominação de uns sobre os outros.

Não participar do jogo de dominação é uma atitude que nunca é fácil e, em geral, vem acompanhada de dor e sofrimento. Se a cada vez que manifestamos nossa essência nos defrontamos com a violência, é compreensível que recuemos. Mas, uma vez tocado, o Ser Essencial não descansa e a cada nova investida se fortalece.

A violência é o recurso de quem se sente frágil diante da manifestação plena de um ser humano livre, autônomo. Assim, denuncia a fragilidade de quem a exerce, mais do que a de quem a recebe.

Potencializar o ser

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